Arquivo para abril, 2012

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Síndicos profi…

Síndicos profissionais ganham espaço

Remuneração pode ultrapassar R$ 5 mil

A rotina em um condomínio nem sempre é tranquila, principalmente para quem tem que administrar a vida dos seus inúmeros habitantes com suas peculiaridades. Nesses casos, é comum surgirem grandes dificuldades de administração para os síndicos. Muitos deles, inclusive, não conseguem sobreviver à pressão dos moradores. Por isso, alguns condomínios estão optando por entregar esse trabalho para alguém de fora, abrindo oportunidades para os síndicos profissionais.

Para atuar nessa função, recomenda-se ter na bagagem um curso de Administração ou Direito, embora não sejam pré-requisitos. Segundo o presidente da Escola de Síndicos, Vanderlei Rocha, o profissional também precisa ter quatro competências básicas: técnicas de gestão, maturidade, assertividade e senso coletivo. Não é necessário viver no condomínio administrado, nem ter contrato de exclusividade, o que permite ampliar os ganhos.

A presença no condomínio vai depender do tamanho e da necessidade de cada prédio. Em geral, as visitas são agendadas, podendo ser diárias ou não. De acordo com o advogado especialista em Direito Imobiliário Manoel Gervásio Teixeira, as administradoras costumam disponibilizar um auxiliar para coordenar o dia a dia do prédio. Assim, o síndico pode aparecer, em média, durante duas horas por dia, duas vezes por semana. “Mas isso é uma coisa que fica estabelecido na assembleia condominial que elege o síndico”, completa. “O profissional tem que ter habilidade de gestão. Não precisa estar presente o tempo inteiro, precisa delegar funções. E estar sempre com o celular ligado, disponibilizar uma página na Internet ou um e-mail para que os moradores possam fazer contato”, exemplifica Vanderlei Rocha.

A renda mensal dependerá do tamanho e da quantidade de condomínios administrados. Por exemplo: em um prédio que tenha em torno de 50 apartamentos, o custo por unidade vai ficar entre R$ 10,00 e R$ 15,00, o que resultará num salário R$ 500,00 e R$ 750,00, informa a Escola de Síndicos. “Normalmente, esses profissionais administram cerca de seis condomínios e tiram mais de R$ 5 mil por mês”, comenta Teixeira. O especialista lembra ainda que o custo do síndico profissional é muito alto para muitos condomínios, principalmente aqueles que têm cerca de dez apartamentos.

 

Imparcialidade na solução de conflitos

Um dos problemas que os síndicos enfrentam são as relações entre os vizinhos. Os mais comuns e corriqueiros decorrem do excesso de barulho em horários de silêncio, de animais domésticos que sujam o ambiente comum a todo o condomínio, ou de carros mal estacionados na garagem, entre outros.

Nesses casos, a principal vantagem do síndico profissional é não ter envolvimento emocional, nem pessoal com os moradores e/ou o condomínio. Com essa prerrogativa, o profissional tende a tomar decisões mais acertadas, sendo rigoroso quando necessário. “Ele pode multar os infratores sem ter que cruzar diariamente com os moradores nos corredores do prédio”, considera Edison Feijó, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios do Estado do Rio Grande do Sul (Sindef/RS).

Apesar disso, os condomínios administrados por não moradores ainda são minoria, de acordo com o advogado especialista em Direito Imobiliário Manoel Gervásio Teixeira. O morador escolhido, algumas vezes, é aposentado em função do tempo livre que tem disponível. Em outras, é jovem e tem pouco tempo disponível em função do trabalho. “Os moradores não têm condições de conduzir o condomínio. Geralmente, o síndico trabalha e administra o prédio na sua hora livre”, afirma Feijó.

Correio do Povo – Março/2012

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